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Publicado em 17/10/2012 | por Mestre

Dicas

Saiba quando vale a pena mudar o foco dos estudos para um outro concurso

Milhões de pessoas tentam uma vaga no serviço público a cada ano. Para conquistar alguma vantagem em relação aos outros candidatos, é preciso construir uma boa estratégia e, nesse sentido, o estudo antecipado é o principal recurso a ser utilizado. Sugerimos que o candidato escolha uma área de concursos (bancos, fiscalização, segurança, tribunais, etc.), para poder adiantar o estudo de um número razoável de matérias, mesmo sem edital publicado.

Vale lembrar que não é possível definir com certeza quando um edital específico vai sair e, por isso, perseguir apenas um concurso pode não ser uma boa ideia. Por outro lado, aguardar a publicação do edital deixa o candidato com pouco tempo de preparação até a prova (algo em torno de 2 meses apenas). Por isso estudar para uma área de concurso é tão importante.

Fila
A partir da escolha da área de concurso, o candidato segue fazendo os concursos que surgirem, já que haverá um grupo de matérias já estudadas (e que se repetem a cada novo concurso da área) e apenas as específicas daquele concurso a serem incluídas. Dessa forma, o conhecimento vai se acumulando a cada concurso, e mesmo reprovações contribuem para o avanço do candidato rumo à vaga. E essa é a segunda premissa: concurso público é fila. Conforme o tempo vai passando e novos concursos acontecendo, o candidato, naturalmente, conquista posições. Isso porque os mais bem preparados naquela área vão sendo aprovados e outros desistem. Nas duas situações, saem da fila.

Quem se mantém estudando aproxima-se cada vez mais dos primeiros lugares. E é também por isso que pessoas que foram inicialmente reprovadas, depois de algum tempo passam a conquistar aprovações sucessivas e, não raro, colecionar primeiros lugares em concursos, sempre na mesma área.

Considerando essas premissas, é importante avaliar se no edital que surgiu – fora do seu foco inicial – as vantagens superam as desvantagens.

Gostaria de alertar que estamos falando de edital de outra área e não simplesmente da publicação de um edital inesperado da mesma área como, por exemplo, no caso de estar estudando para um tribunal e sair edital para outro. Esses ajustes, em geral, são possíveis de serem efetuados e fazem parte da estratégia de estudo antecipado por área.

Vantagens
1) Número de disciplinas cobradas no edital atual e que já faziam parte da sua programação de estudo;

2) Se não houver perspectiva de bom edital na sua área de interesse em curto espaço de tempo, o risco do desvio é reduzido e aumenta o interesse pela nova oportunidade de aprovação;

3) Se for possível – em relação à quantidade de matérias X tempo disponível para estudo – incluir os novos conteúdos na programação de estudo sem retirar as disciplinas originais, pode ser uma boa escolha: priorizar os conteúdos comuns, como se fossem concursos da mesma área, e incluir o estudo específico para o concurso atual, sem abrir mão do estudo das básicas da área de concurso para a qual já vinha estudando.

4) Tempo de desvio – se o desvio for por um período relativamente curto, e aí estamos falando de 2 ou 3 meses (e não houver fundadas perspectivas de edital na área de concurso que você escolheu), o risco fica minimizado.

Desvantagens
1) Número de disciplinas totalmente novas que deverão ser incluídas (lembrando que todo concurso cobra alguma legislação específica e disso não há como escapar);
Obs.: Se as disciplinas novas forem novas para todos, a desvantagem é neutralizada; se fazem parte do estudo de outra área, a desvantagem é potencializada, porque os concorrentes que já estudam para aquela área poderão estar em melhores condições;

2) Se houver expectativa de bom edital na sua área inicial de interesse, o desvio momentâneo de foco pode comprometer o objetivo principal;

Outros fatores, tais como faixa salarial, número de vagas oferecidas, localização, atividade a ser exercida, são sempre importantes para saber se um concurso interessa ou não. Para decidir se compensa ou não enfrentar uma mudança de direção, mais uma vez será preciso avaliar esses aspectos.

Sugiro que o candidato tente imaginar as duas situações extremas, antes de decidir: se resolver mudar o foco e se dedicar ao edital que surgiu e não for aprovado, e também não for aprovado depois no concurso seguinte da área para a qual estava se preparando; ou, o inverso, se decidir deixar passar o edital inesperado e, mesmo assim, não for aprovado no concurso seguinte para a sua área de interesse. Isso talvez dê uma perspectiva melhor das consequências e do que seria mais sensato fazer.

Sem garantias
Não há resposta certa nem garantias. Mas, depois de tomada a decisão, o importante é fazer o melhor e não olhar mais para trás. Mesmo que a aprovação não venha, nunca saberemos se teria sido diferente se a escolha tivesse sido outra.

No meu tempo de concurseira, passei por algo semelhante. Quando saiu o edital para o ISS-Rio, saiu também para Controlador de Arrecadação, com salário bem inferior. Os dois concursos eram quase superpostos, com provas em 3 etapas, uma a cada 2 meses, sendo que as de um concurso aconteciam 15 dias depois das do outro. Havia razoável quantidade de disciplinas em comum, mas também havia matérias diferentes. O ISS era tudo o que eu desejava e o concurso de Controlador não resolveria a minha vida financeira. Mas eu não suportava mais estar sem dinheiro. Assim, precisava muito ser aprovada e conseguir algum seria melhor do que continuar sem nenhum.

Decidi fazer os dois concursos. Sofri pressão de colegas (quase praga…), que disseram que eu “teria de optar por um dos dois, senão iria perder os dois”. Segui em frente e, a cada prova, enquanto meus concorrentes já começavam a se preparar para a fase seguinte do ISS, eu ainda passava 2 semanas focada no outro concurso. Fui aprovada nos dois, em 8º lugar no de Controlador e em 5º, no ISS. Mas, este foi o meu caso. Cada um deve avaliar atentamente a sua situação para fazer a melhor escolha.

Fonte: Lia Salgado, colunista do G1, é fiscal de rendas do município do Rio de Janeiro, consultora em concursos públicos.

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