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Publicado em 03/10/2012 | por Mestre

Dicas

Sem limite para estudar

É quase lugar-comum a afirmação de que conquistar uma vaga em um órgão público é garantia de uma vida confortável. E, por isso, cada vez mais cedo, os jovens são influenciados por suas famílias a estudarem com afinco. Visando preparar-se com antecedência, de forma sólida e aprofundada, há casos de pessoas que começaram a estudar para um certame antes mesmo de atingir a idade mínima exigida para a posse do cargo – são eles os ‘calouros do concurso público’. A adolescente, Isaura da Silva, de 16 anos, ilustra bem esta tendência – e serve de perfeito contraponto ao exemplo do aposentado Walter Francisco que, aos 70 anos, não perde o saudável hábito de estudar. Atualmente, a jovem cursa o 2º ano do Ensino Médio. Sua mãe, Claudia Jones, é especialista na área de concursos e, desde cedo, conversava com sua filha sobre as vantagens em conquistar uma carreira pública. Segundo Isaura, sua preparação começou bem cedo, aos 14 anos, quando sua mãe a matriculou em um curso preparatório. “Minha mãe encontrou uma maneira de me ajudar a incrementar meus estudos da escola nas matérias de Matemática e Português, e, como ela trabalha com concursos, me colocou para assistir às aulas dessas duas matérias”, revelou.

Isaura ressaltou que esta oportunidade abriu sua visão. “De repente, lá estava eu, estudando com um monte de gente que tinha um objetivo diferente. Enquanto eu estava acrescentando conteúdo à minha formação escolar, eles estavam em busca de um emprego com estabilidade. Acho que aquilo foi abrindo minha percepção e eu percebi que poderia, só com o nível médio, ter minha independência financeira”. A jovem disse que seu método de estudos busca equilibrar sua rotina entre os conteúdos da escola e as matérias dos concursos. “Ainda estou entrando no ritmo, eu assistia às aulas e aplicava o conhecimento na escola. Agora é diferente, terei que separar bem minha agenda e arrumar um tempinho para estudar o conteúdo, que vai além do ensino médio. Neste momento, eu estudo pela manhã na escola e, à tarde, faço os deveres e reviso os estudos do curso da noite anterior. Estudo para os concursosà noite, mas como eu ainda estou estudando na escola, não intensifico muito, pois ainda tenho as tarefas e provas da escola. Mas, sempre que posso, estou revendo as matérias que aprendi. Além disso, faço provas anteriores”.

A estudante está prestes a fazer seu primeiro concurso. O “test-drive” será com a prova do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social, o BNDES. A empresa pública federal é seu foco. “Talvez por ter ouvido minha mãe falar tanto sobre os benefícios e a possibilidade de crescimento na empresa”, explica. Isaura disse que sabe que não está totalmente preparada, mas ressaltou que o teste será uma boa experiência. “Eu não estou fazendo algumas matérias como Conhecimentos Específicos e Estatística para não me confundir com as matérias da escola, mas farei a prova para ter uma noção do que acontece nesta hora. Vou poder verificar a questão do nervosismo e se saberei controlar o tempo em cada questão”. A ‘concurseira caloura’ disse que não está ansiosa para a prova. “Não estou ansiosa porque tenho em mente que, se eu passar, talvez não possa assumir o cargo. Isso está bem claro na minha cabeça. A ideia, por enquanto, é pegar ritmo. Minha mãe trabalha comigo muito bem esta questão da ansiedade, e ela me ensina que isso só atrapalha”.

Ano que vem será o último ano de Isaura na escola. Ela contou que seus amigos, que focam totalmente no vestibular, acham esquisita sua opção pelo concurso público. A aluna ressaltou que seu primeiro objetivo é passar em um concurso para, somente depois, cursar um nível superior. “Meu foco é concurso público. Até porque sei que preciso amadurecer mais a minha vocação. Não sei qual faculdade quero fazer, mas sei que quero ter dinheiro para, quando escolher uma carreira, poder pagar a melhor faculdade com meu próprio dinheirinho”, idealiza. “Já pensei em ser muitas coisas na vida e percebi que ainda não tenho certeza de nada. Meu medo é fazer uma faculdade e, como outras pessoas que eu conheço, me arrepender. Tenho parentes que fizeram faculdade durante muito tempo e ficaram anos sem conseguir emprego na área que escolheram. Ainda não sei nem qual profissão quero ter. Só farei uma faculdade quando sentir que minha hora chegou e, se não chegar uma vocação, eu farei alguma somente para ter  nível superior e poder fazer um concurso para analista”, planeja.

A adolescente reforçou que não pretende parar na primeira vaga que conquistar. “Depois que fizer faculdade, vou prestar mais concursos”. Ela acredita que ter definido este objetivo com tanta antecedência vai aumentar suas chances de aprovação em concursos concorridos. Ela citou duas vantagens. “Primeiro, eu já saio na frente começando a preparação cedo porque não estou deixando para estudar depois que completar 18 anos e, segundo, porque quando a gente quer muito uma coisa, a gente consegue. Tem muita gente que só estuda quando as notícias chegam, vão embaladas pelo entusiasmo quando da divulgação do edital. Eu quero fazer desse meu objetivo um projeto de vida. Assim, evito fustrações”. A maturidade da caloura impressiona. “Quero ser escritora, escrever ficção, e são poucos autores que sobrevivem do sucesso de seus livros. Quero ter dinheiro para poder escrever os meus livros e não depender do resultado comercial deles. O concurso público vai bancar meus sonhos”, finalizou.

Fonte: Folha Dirigida

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