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Publicado em 24/06/2013 | por Mestre

Notícia – Manifestações

Manifestações vão  das ruas para as provas…

Diretas Já, em 1984. Fora Collor, no ano de 1992. Após pouco mais de duas décadas da última manifestação popular no Brasil, o país assiste – mergulhado em euforia e indagações – a população voltar às ruas das principais capitais, e também de cidades do interior. Assim como as passeatas citadas na abertura desta matéria, o movimento de massa realizado desde o último dia 17 de junho, certamente, entrará para os livros escolares das próximas gerações. O tempo se encarregará de definir-lhe a importância histórica. Contudo, algo é evidente desde já. As marchas que varrem o Brasil serão temas certeiros na disciplina Atualidades. Em breve, o que hoje se vê nas ruas migrará para as provas de concursos. Então, que tal refletir um pouco sobre tudo o que está acontecendo? Com a palavra, o professor Jefferson Urani, que leciona a matéria no Gran Cursos, em Brasília.

“Desde o inicio da sua história, pela primeira vez, o Brasil está passando por uma verdadeira revolução popular, pois nossa independência foi resolvida em família – numa batalha do filho contra o pai. A proclamação da República foi realizada por uma única pessoa… Na sequência da história, mais envolvido por uma atmosfera de revolução, encabeçada pela elite intelectual e pelo meio artístico nacional, do que por vontade ou consciência própria, o povo foi às ruas com o movimento das Diretas Já, para livrar-se da ditadura militar instaurada em 1964. No impeachment de Fernando Collor, os ‘caras-pintadas’ foram às ruas, sem saber o que era impeachment em sua plenitude. Agora se iniciou uma espécie de ‘Primavera Brasileira’, para fazer um paralelo com eventos internacionais – o que certamente poderá ser cobrado pelas bancas em concursos futuros. A nossa população saiu às ruas não só no Brasil, mas em várias partes no mundo, protestando por um número infindável de causas”.

O professor destaca que o estopim das atuais passeatas foi o aumento da passagem de R$3 para R$3,20 em São Paulo, acompanhado dos aumentos no Rio de Janeiro. Protestos esses que foram violentamente reprimidos pela polícia, gerando um sentimento de revolta e solidariedade na maior parte da população que, aglutinada pelas redes sociais, engrossou as fileiras nas ruas. “É preciso entender melhor esse movimento – ver o que está por trás dessas manifestações. Na Primavera Árabe, uma sequência de revoltas populares ocorridas em países do Oriente Médio desde 2010, não foi apenas a autoimolação de um jovem que deu início aos protestos que, por lá, abalaram os alicerces de ditadores há décadas no poder. Mais recentemente, na Turquia, não foi somente a construção de um Shopping Center no local de uma praça que levou a protestos que já duram semanas. Assim como, em São Paulo, não foi o aumento da passagem de ônibus que levou às primeiras passeatas. Nesses três casos, os fatos apontados foram apenas estopins para a explosão de insatisfações que estavam se acumulando nas sociedade árabe, turca e brasileira”.

Ainda que aspectos sociais estejam presentes, no mundo árabe e na Turquia, foram as ditaduras e a falsa democracia que, respectivamente, motivaram os protestos. No Brasil, a democracia, ainda que jovem, está bem estabelecida, embora estremeça diante da violência exacerbada registrada nos combates entre supostos manifestantes e as forças policiais, em cidades como o Rio de Janeiro, Porto Alegre e Campinas, além da capital federal. “A precariedade dos serviços públicos, representada pela péssima qualidade do transporte coletivo e pela falta de investimentos na saúde e na educação; os gastos excessivos com estádios faraônicos para eventos esportivos; a estrutura corrompida e decadente do tradicional sistema político-partidário brasileiro, e outras diversas variáveis, levaram os jovens brasileiros às ruas. A novidade é que este não é o manifestante tradicional. Segundo pesquisa Datafolha, 70% das pessoas nas ruas em São Paulo nunca tinham participado de manifestações e 80% foram convidadas pelas redes sociais”.

Jefferson Urani diz que, ao se observar os participantes das passeatas, percebe-se que, em sua maioria, são pessoas das classes C, B e A. Segmentos da sociedade que têm sido esquecidos pelas políticas públicas nacionais. As diversas bolsas e auxílios que existem no país são, evidentemente, voltados para as camadas menos favorecidas, deixando órfãos durante mais de uma década as classes média e média-alta, que pagam impostos altíssimos e não veem o retorno proporcional por parte do Estado. “A precariedade dos serviços públicos em geral, bem como os seguidos casos de corrupção, parecem ter acordado o ‘gigante adormecido’ que, durante 500 anos, esteve deitado em ‘berço esplêndido’, levando às avenidas representantes de várias gerações de brasileiros, insatisfeitos com o país como um todo”.

Tema praticamente certo nas próximas provas de concurso, a ‘Primavera Brasileira’ ou ‘Revolução do Vinagre’ – nome dado ao atual movimento logo nas primeiras ações em São Paulo, graças ao poder do produto culinário de amenizar os efeitos do gás lacrimogêneo utilizado pela polícia – permite às bancas de concursos explorar uma vastidão de assuntos. “Aconselho os concurseiros maior atenção a tópicos correlatos à crise, tais como os problemas urbanos brasileiros, políticas públicas de inclusão social, desigualdades sociais, mobilidade social brasileira, Plano Pluri Anual 2012-2015, Primavera Árabe, Turca, o papel das redes sociais e, sobretudo, as relações das manifestações de 2013 com os movimentos das Diretas-Já e dos ‘caras-pintadas’, que derrubaram o Collor”, alerta Urani, que, a pedido da FOLHA DIRIGIDA, faz uma avaliação final. “Vale lembrar que essa ação popular se fará presente não só nos itens próprios da disciplina de Atualidades. Pode aparecer em qualquer concurso, nas Redações e questões de interpretação de texto, em Língua Portuguesa. Recomendo aos alunos que acompanhem de perto os acontecimentos – e não somente porque serão explorados em provas, mas também pela chance de vivenciar a própria história sendo escrita diante de nossos olhos. Exageros e vandalismos à parte, presenciamos fatos e acontecimentos que estão marcando um novo rumo da nossa sociedade”.

Fonte: Folha Dirigida

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