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Publicado em 08/04/2011 | por alexmendes

PIB – 7,5% em 2010 coloca o Brasil na posição de 7ª maior potência econômica mundial.

Oi pessoal,

O PIB/2010 anunciado pelo IBGE atingiu o patamar de 7,5% colocando o país na 7ª posição de maior economia do mundo. Com certeza é uma feito a se comemorar. Contudo precisamos olhar mais de perto a situação macroeconômica como um todo.

Boa parte do crescimento se deve obviamente a uma base de comparação excessivamente baixa crescimento de 0,2% em 2009 some-se a isto as ações governamentais para a saída da crise, tais como a renuncia fiscal (IPI Imposto sobre produtos industrializados nos setores de movelaria, metal/mecânico, construção civil e eletro-eletrônicos; a ampliação do crédito via bancos de controle estatal como BNDES, BB e CEF; ampliação do gasto público via PAC (Programa de aceleração do crescimento) sobretudo em ano eleitoral.

De outro lado estamos passando por uma janela demográfica onde  a maioria da população se encaminha para a formação da PEA (população economicamente ativa) com redução de gastos com a base da pirâmide etária e ainda um aumento não substancial do ápice.

Incorremos ainda em três problemas:

1. Inflação de demanda: quando a demanda se acelera em ritmo maior que a produção. Em 2010 a inflação bateu a casa dos 5,91%. Acima do teto proposto pelo Conselho Monetário Nacional de 4,5%. Resultado o COPOM (comitê de política monetária) aumentou a taxa de juros em duas reuniões seguidas.

2. Taxa de investimento aquém do necessário. Em 2010 cresceu 21,8% em relação a 2009, mas ressaltamos a base fraca de comparação (2009), e com isso a tendência de crescimento sustentável (sem inflação) fica prejudicado pela baixa oferta.

3. Infra estutura e mão-de-obra com baixa qualificação, agravando o custo Brasil, ou seja, tudo aquilo que acrescenta valor no sentido negativo da palavra.

Os desafios, portanto, estão muito aquém de serem vencidos. Fato é, contudo, que o Brasil caminha a passos largos  rumo a redução da desigualdade social e de um crescimento que espelhe a necessidade dos brasileiros.

Complemento para Estudo:

Investimento: a má notícia do PIB

06 de março de 2011 | 0h 00

Suely Caldas – O Estado de S.Paulo

O jeito prudente da presidente Dilma Rousseff em comentar a alta de 7,5% do PIB de 2010 contrastou com a euforia de seu ministro da Fazenda. Guido Mantega apressou-se em convocar jornalistas e, com incontida empolgação, exaltou a boa notícia, tão logo foi divulgada pelo IBGE. Dilma considerou a taxa “razoável” e tratou de acrescentar que será menor em 2011, porque o governo não permitirá descontrole da inflação. “Vamos ter um olho na atividade, outro no investimento”, afirmou.

Comentário sensato, não fossem as brechas saídas de contraditórias decisões do governo, que têm alimentado desconfianças de que não há muita disposição real para reduzir os gastos públicos e frear a atividade econômica na dimensão que ela precisa para trazer a inflação para o centro da meta de 4,5%. E por que acabar com a festa do crescimento, se é bom ter emprego e dinheiro no bolso? Simplesmente porque a inflação é um mal muito pior, capaz de destruir a festa, eliminar empregos e esvaziar os bolsos. Com inflação controlada a festa pode continuar, com o som menos estridente, mais calmo, porém, mais seguro para prosseguir.

Com razão, Dilma citou o investimento ao falar do PIB. E essa foi a pior notícia anunciada pelo IBGE na quinta-feira. O investimento cresceu 21,8% em relação a 2009, mas tal resultado foi favorecido pela base de comparação, já que em 2009 as empresas engavetaram e não realizaram seus projetos de investimento por desconhecer quanto tempo duraria a crise financeira. Com o quadro melhorando no final de 2009, elas desengavetaram os planos. Mas, no segundo semestre, o investimento voltou a enfraquecer, os projetos foram minguando e a taxa de crescimento caiu.

Desde o Plano Cruzado, em 1986, o PIB não registrava alta tão expressiva. Apesar disso, a taxa de investimento da economia fechou 2010 em 18,4% e não recuperou nem o nível de 19,1%, anterior à crise. A China, que cresce continuamente há mais de 20 anos, sustenta sua expansão com uma taxa de investimento de 40%. O Brasil nem sequer chegou aos 20%. Daí esse movimento de gangorra, esse sobe e desce, instável e inseguro da atividade econômica, que condena o País a recuar quando dá um passo maior que as pernas, mesmo com pernas curtas.

O diagnóstico desse nó que não desata o investimento é conhecido há tempos. E o governo Lula passou oito anos sem, pelo menos, tentar começar a desfazê-lo. Mais marketing do que resultados reais, o PAC pouco ou nada fez para eliminar os gargalos que bloqueiam o dinamismo da economia e dependem de investimento público para serem concretizados. Ao longo de oito anos, aeroportos, portos, estradas, ferrovias, hidrelétricas quase nada se expandiram ou se modernizaram e o investimento muitas vezes foi alvo de corrupção. O caso dos aeroportos é o mais flagrante. O dinheiro ali injetado foi desviado e a Copa vem aí com aeroportos saturados.

Se quiser virar o jogo e expandir o investimento público em infraestrutura, o primeiro ato de Dilma será reduzir outras despesas e direcionar o dinheiro para investimento. O governo ensaiou nessa direção, prometeu cortar R$ 50 bilhões do Orçamento. Mas parece não haver disposição firme e inquestionável. O detalhamento dos cortes, de tão frágil, caiu no descrédito e os mais experientes creem que o controle dos gastos continuará a ser feito na boca do caixa, sem programação que permita planejar e assegurar a realização de projetos.

O investimento privado em infraestrutura passou oito anos do governo Lula esbarrando na falta de regras de regulação bem definidas e seguras e em agências reguladoras inconfiáveis, dirigidas por enviados de partidos políticos com seus negócios. Dilma deu sinais positivos de mudança. O primeiro foi anunciar que dará força e autonomia para as agências e nomeará técnicos competentes para dirigi-las. Se conseguir, pode impulsionar o setor privado para desfazer gargalos inibidores do crescimento.

Para ganhar este jogo, Dilma Rousseff vai precisar de coragem política para expulsar corruptos, capacitar e despolitizar agências e suas regras. A ver.

JORNALISTA E PROFESSORA DA PUC-RIO

Um forte abraço e até a APROVAÇÃO!!!

Alex Mendes

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