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Publicado em 21/09/2012 | por Mestre

Quando vale a pena se mudar

Saiba quando é válido
De acordo com os números da Associação Nacional de Proteção e Apoio aos Concursos (Anpac), mais de 12 milhões de pessoas por ano realizam concursos públicos no Brasil. São candidatos em busca de estabilidade, salários atraentes, crescimento profissional, melhoria de vida. Para alguns, não interessa onde sejam aplicadas as provas ou mesmo para onde se destinam as vagas. O que importa é ser aprovado, mesmo que depois tenham que arrumar as malas.

Brasília vem se consolidando a cada dia como o centro dos concursos públicos, tornando-se uma opção muito atraente para milhões de candidatos. Segundo Ivan Lucas, professor de Direito Administrativo no Gran Cursos, muitos concurseiros mudam-se para a capital federal sentindo-se atraídos pelas inúmeras vantagens oferecidas pelos órgãos. Há sempre gente disposta a adotar um novo CEP residencial, numa equação que leva em consideração variáveis como as oportunidades locais e distância de amigos e familiares, além do custo e da qualidade de vida.

Pedro Henrique Jardim é morador de Brasília e pretende fazer o caminho inverso. Deseja sair do Distrito Federal devido ao alto custo de vida. Ele, que está estudando para o TST, pretende fazer também a prova para o TRF do Ceará. “O custo de vida em Brasília é muito elevado. Se eu passar no concurso do TST e ganhar, por exemplo, R$7 mil, faria muito menos coisas aqui em Brasília do que poderia fazer com essa mesma quantia no Ceará”, explica o estudante.

Segundo Ivan Lucas, outra razão pela qual o concurseiro opta por prestar concurso em outro estado é quando aquela seleção tão esperada não abrange sua cidade natal, como, por exemplo, a Agência Nacional de Cinema (Ancine), que oferece 100 vagas para candidatos de nível médio, mas nenhuma para Brasília. Há ainda diversos casos de concursos com lotação apenas na capital do país. E ai surge a pergunta: Será que vale a pena concorrer a vagas em locais distantes de sua cidade? Alguns candidatos que buscam a segurança financeira garantem que vale. Em contrapartida, há quem acredite que é preciso levar em conta se irão ou não se adaptar ou se a remuneração compensará os gastos extras que, certamente, terão longe de casa. E no próprio processo de mudança de cidade…

A estudande do Gran Cursos, Sueme Mahmoud Ali, saiu de Cuiabá/MT e foi para Brasília em busca da aprovação. Ela ainda não atingiu o objetivo final na área da carreira pública, porém não se arrepende da mudança. “Estou me preparando para o concurso do TST. Estou feliz com a mudança e hoje, independentemente do salário, não troco Brasília por nenhum outro estado. Vou passar no concurso que quero e continuar morando aqui por um bom tempo”, comentou.

No caso dos casados, mudança mexe com toda a família

Para a também estudante do Gran Cursos, Regiane Perpétua Teixeira, a mudança pode ser boa, desde que o salário compense. “Normalmente, só faço concursos federais, mesmo que estes tenham vagas com lotação fora de Brasília. O importante é que os salários oferecidos sejam os mesmos que os pagos aqui na capital federal, o que normalmente acontece”. Mas, e a família, como fica? “Meu marido é servidor da Câmara e não poderá ir junto para outro estado. Por isso, participo das seleções federais, pois pretendo tentar remoção. E, como ele vai ficar, quando vou fazer a inscrição, levo sempre em consideração o preço da passagem área porque precisarei vir sempre para Brasília”, declarou.

Segundo a psicóloga e orientadora profissional, Ana Cavalcante, essa mudança de cidade é menos complicada para os solteiros. Já os casados devem tomar cuidados. “Na prática, deve-se pensar em como fazer a mudança e instalação na nova residência. Para o candidato solteiro pode ser mais fácil, pois ele não precisa cuidar da mudança e readaptação de toda a família. Porém, para alguns solteiros, também pode ser muito difícil se distanciar dos familiares e amigos. Neste caso a aventura pode ser até bastante negativa. Já no caso dos casados, para não criar discórdia, é sempre prudente considerar a opinião das pessoas que estão envolvidas nesse processo. Afinal a vida delas irá mudar também. Então, é válido que haja um consentimento”, declarou.

Para Ana, antes da mudança o candidato deve considerar diversos fatores. “Ele deve analisar a região onde irá viver, o clima, a cultura, a qualidade de vida possível, se os hábitos regionais são agradáveis ou não. Para cuidar da adaptação seria interessante que o candidato conhecesse o lugar, que buscasse informações sobre o clima e cultura na internet ou que fizesse uma viagem ao local… Cuidar da habitação para que fique confortável e acolhedora também é válido. Buscar atividades familiares e que proporcionem prazer facilitarão a adaptação”, frisou.

Questão financeira é o fator fundamental na decisão
Antes da mudança a questão financeira deve ser levada em consideração. Para o especialista em finanças, Altemir Farinhas, a pessoa que passa em concurso para outro estado deve investir em um imóvel. “Quem vai morar em outro estado deve procurar evitar o aluguel. Recomendo que compre um imóvel. Se for transferido para outro lugar, a pessoa pode alugar a casa própria em que já residia e com o valor do aluguel pagar a prestação da nova residência. Essa é uma boa forma de fazer uma poupança. Quem é casado e com filhos deve conhecer um pouco mais sobre a cidade. Conheço alguns casos em que a esposa ou o marido não conseguiu nenhuma recolocação e, nesse caso, a renda do casal ficou prejudicada”, ressaltou.

A maioria dos candidatos aprovados para outros estados tem tido facilidade na adaptação. “Por incrível que pareça a maioria dos candidatos que se desloca, qualquer que seja a localidade de partida ou de chegada, de uma forma geral, se adapta bem. Muitos também usam o fato de irem para uma localidade onde não conhecem ninguém para dar maior dedicação aos estudos, fazendo isso já empregados, pensando num upgrade. Nesse contexto, rapidamente passam em outro, aí sim para o local pretendido“, destaca.

É fundamental que os concurseiros corram atrás do sonho, sem ter em mente a limitação geográfica. “Aconselho os meus alunos em sala de aula que procurem fazer todos os concursos que puderem, não só para adquirir experiência bem como para, quem sabe, buscar novos horizontes. Qualidade de vida e custo de vida melhores! Mudar-se não os impede de continuarem se preparando, só que, ganhando além de experiência, ótimos salários. E, ainda que o local não seja a cidade dos seus sonhos, muitas vezes existe a possibilidade de uma eventual remoção. São inúmeras as possibilidades que se abrem”, comenta.

De acordo com Ivan Lucas, em alguns concursos federais, como, por exemplo, o da Receita Federal, a possibilidade de voltar para a cidade ou estado de origem normalmente só se dá após dois ou três anos de permanência na localidade em que se ingressou. “Antes de tomar uma decisão como esta, o melhor a se fazer é pensar muito antes, pois as mudanças nem sempre são aquelas que a gente espera. Mas se vocês me permitem, arrisco dizer que sempre vale a pena buscar por mudanças, pois elas nos dão sentido para viver. Ninguém nunca sabe o que vai encontrar, mas se não tentar também nunca vai saber! Encare, confie e tente, sempre vale a pena encontrar novos horizontes”, destaca Ivan Lucas.

Para finalizar, o professor Mariano Borges deixa um recado para os concurseiros. “O único lugar aonde o sucesso vem antes de trabalho é no dicionário… Então, não se preocupem, se ocupem! Façam concursos em todos os locais desse país onde existam boas oportunidades e depois ponderem, conheçam, cresçam e apareçam… Saiam da zona de conforto, pois pode haver um mundo maravilhoso bem perto de vocês”

Fonte: Folha Dirigida

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